Moda sustentável: o que é?

Vamos começar por definir o que é isto da moda sustentável.

 

A moda sustentável (também conhecida como eco-fashion) é um conceito que implica que o processo de criação de roupas e acessórios seja feito sem prejudicar o ecossistema.

Este conceito aplica-se não só a toda a cadeia de produção das matérias-primas como também à produção (fabricação) da peça em si. Numa terceira etapa também podemos fazer uma avaliação da cadeia de distribuição das peças até ao consumir final.

 

O conceito surge da necessidade de repensar os comportamentos da nossa sociedade a nível ecológico. Desde a produção massiva de roupa, ao descarte das peças, tudo tem levado a um excessivo uso e extração de recursos naturais não renováveis, poluição excessiva, degradação do ambiente, trabalho infantil, etc, etc...

 

Ao longo da história a forma como nos vestimos tem ditado, de certa maneira, o nosso status social. Se no passado diferenciava nobres, e classes, hoje em dia também dita o que somos (ou que nos levam a crer que somos...). Se algo se torna popular (de massas), existe de imediato a necessidade de obter algo mais exclusivo, o que tem levado à produção constante de novas coleções na chamada “fast-fashion”.

 

Segundo a Environmental Protection Agency, a indústria têxtil está entre as quatro indústrias que mais consomem recursos naturais e que mais poluem. Esta indústria fomenta a desigualdade sociocultural, utilizando empregos sazonais e informais para manter o baixo custo da produção.

 

De qualquer forma, e em algumas situações, os consumidores têm o poder de apoiar ou não marcas pelos seus valores e comportamentos a nível social e ambiental. Se pretendes ser uma parte mais activa neste novo paradigma, e ser uma consumidora responsável e ecofriendly, deves-te questionar: onde e por quem é que foi feita aquela peça de roupa?

 

A moda sustentável apresenta diversas propostas:

 

Eco chic

O termo eco chic surge para provar que é possível juntar elegância à responsabilidade com aspectos socio-ambientais. Um conceito de moda que responde a um consumidor eco chic é, por exemplo, a moda ética.

 

Moda ética

Normalmente define-se por moda ética aquela que leva em consideração os direitos humanos (ou animais, no caso do movimento cruelty-free) nos locais de produção. O Fashion Hedge enumera algumas práticas da moda ética:

  • Fair trade (comércio justo)
  • Empregar mulheres ou grupos étnicos
  • Produção sem componentes animais
  • Sem testes em animais
  • Doar parte dos lucros para instituições sem fins lucrativos
  • Produzir em países em vias de desenvolvimento
  • Handmade
  • Remunerações justas pagas aos trabalhadores envolvidos no processo
  • Contribuir para preservar tradições de uma minoria étnica
  • Revelar locais de produção e políticas de trabalho
  • O produto em si aumenta a consciência ou promove um ideal ou uma causa

 

No dia 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram no pior acidente da indústria da moda, no complexo de fábricas Rana Plaza em Dhaka, Bangladesh. Esse dia deu origem à organização Fashion Revolution, alinhada com os valores de moda ética, que instituiu esse dia como o fashion revolution day. A organização propõe questões como: quem fez as minhas roupas e sob que condições?

 

Eco moda

Procura a redução do impacto ambiental na produção das roupas usando, por exemplo, corantes naturais para o tingimento. Reduz-se igualmente o consumo de recursos e são escolhidos materiais e processos que colaborem para diminuir o impacto ambiental durante o seu ciclo de vida. Dessa maneira, há o uso de tecidos de fibras orgânicas e métodos de produção que minimizem a contaminação ambiental, evitando ao máximo produtos químicos poluentes como corantes sintéticos. Algumas alternativas são o algodão orgânico e fibras de abacaxi, de bambu e de cânhamo.

De acordo com a fundação Earth Pledge, são usados mais de oito mil produtos químicos na indústria têxtil e 25% dos pesticidas do mundo são empregues no cultivo de algodão não orgânico. Os esforços para encontrar medidas que reduzam os danos da natureza durante o cultivo da matéria-prima, produção e transporte, tornam a moda sustentável tipicamente mais cara do que a fabricada por modelos convencionais.

 

Zero-waste fashion

O conceito de zero-waste fashion refere-se à produção de peças de vestuário e/ou acessórios que geram pouco ou nenhum resíduos, eliminando o desperdício durante a produção dos produtos. Um bom exemplo, é a utilização de retalhos têxtil para fazer peças.

 

Upcycling

O upcycling consiste, basicamente, em dar um novo propósito a materiais que seriam para deitar fora, com criatividade e qualidade igual, ou até melhor, que a do produto original. Este conceito foi criado pelo ambientalista alemão Reine Pilz, em 1994.

A utilização de câmaras de ar de pneus para a confecção de artigos de moda é um exemplo desta tendência que está a crescer.

 

Slow fashion

O slow fashion surgiu como uma alternativa socio-ambiental mais sustentável no mundo da moda. Foi criado por Kate Fletcher em 1986 e inspirado no conceito de Slow Food e que tem como objectivos incentivar a um consumo consciente do vestuário e lutar contra o Fast Fashion, apresentando soluções para a produção em massa.

 

Uma mudança na moda e nos seus sistemas e métodos de produção, desenvolvimento e valorização, promovendo também o diálogo acerca de questões relativas à princípios ambientais e sociais. O conceito também está associado ao desenvolvimento de peças duráveis e intemporais, que utilizam matérias-primas e acabamentos de alta qualidade, com exclusividade, dado que as produções são sempre limitadas em termos quantitativos.

 

Moda Circular

Este termo foi utilizado pela primeira vez na Suécia em 2014. É um movimento que defende que os produtos de moda sejam pensados em termos de longevidade, eficiência de recursos, biodegradabilidade e reciclabilidade. Assim, os produtos produzidos desta forma devem prever a máxima utilização e circulação, para depois serem redesenhados para dar ao material e aos componentes uma nova vida útil.

 

 

 

AUTORA: Susana Cunha Trindade

CEO & Founder da Mom-to-Mom

 

 

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